Num ano muito complicado para todas as empresas, conheça a história de uma associação que ajuda vários empresários portugueses a desenvolver relações comerciais com Cuba.

Foi a 2 de junho de 2014 que nasceu a Câmara de Comércio Portugal Cuba (CCPC). A constituição desta entidade de utilidade pública surgiu numa altura de mudanças políticas em Cuba, na sequência da substituição de Fidel Castro por Raúl Castro, que se encontrava determinado a implementar um conjunto de medidas políticas, económicas e fiscais com vista a uma maior abertura do país ao exterior.

Além de missões empresariais a Cuba, a CCPC organiza também missões inversas, trazendo a Portugal entidades e em presas importadoras cubanas, permitindo-lhes conhecer as empresas portuguesas in loco, atestando a capacidade produtiva e tecnológica das mesmas. Estas missões são na sua maioria missões multissetoriais abrangendo empresas de diversos setores.

Foi também em 2014 que a CCPC se tornou responsável pela representação portuguesa na FIHAV (Feira Internacional de Havana), a maior feira multissetorial das Caraíbas e uma das maiores representações multissetoriais portuguesas no mundo. Um evento que conta anualmente com cerca de 3.000 expositores oriundos de mais de 60 países, num total de 25 pavilhões.

Um dos pontos marcantes deste percurso deu-se em 2016, quando Portugal passou a ter um pavilhão exclusivo para as suas empresas nesta feira, marcando desde então presença habitual com cerca de 30 stands.

Todo este trabalho fez com que fossem criados diversos protocolos de cooperação para o mercado cubano com entidades como a AEP, a AICCOPN, a AICEP e a Câmara Municipal de Famalicão.

A própria AICEP abriu em 2017 uma delegação em Havana constituindo um momento muito importante na promoção da internacionalização das empresas portuguesas em Cuba. Em 2018, a CCPC vê ser-lhe atribuído pelo Governo português o Estatuto de Entidade de Utilidade Pública.

O projeto “Internacionalização de PME para Cuba”

2019 deu início a um projeto cujo principal objetivo passa por difundir em Cuba a oferta portuguesa de bens e serviços, ao aumentar a capacidade exportadora das empresas.

Com isto em mente, a CCPC tem neste projeto o papel de fomentar o intercâmbio económico entre Portugal e Cuba; divulgar oportunidades de negócio em Cuba; sensibilizar as empresas nacionais para fatores críticos de competitividade e risco, disponibilizando todo o apoio e informação necessária às relações económicas entre Portugal e Cuba; estimular e apoiar os contactos entre os agentes económicos interessados no desenvolvimento das relações entre os dois países; contribuir para a difusão internacional da oferta portuguesa de bens e serviços e auxiliar o desenvolvimento de processos colaborativos de internacionalização, através da partilha de conhecimento e capacitação sobre o mercado cubano.

Este projeto previa a realização de diversos eventos, seminários e conferências que não se realizaram devido à pandemia de covid-19. Contudo, foi ainda possível organizar em 2019 duas missões inversas, uma do setor alimentar e outra do setor da saúde e indústria farmacêutica.

“Quem demonstrar que quer continuar a apostar em Cuba pode ter um cliente para muito tempo”

Três perguntas a… José Luís Rebelo, diretor comercial, Sourcing & Marketing da Batist Medical Portugal

Por que razão decidiu apostar em Cuba?

Foi um desafio lançado pela CCPC, da qual somos sócios, e uma questão de aposta. A nossa empresa elegeu como prioridades os países da América Latina. Cuba tem uma feira multissetorial considerada a maior da América Latina, estivemos presentes e aí começaram os contactos.

Como descreve a sua experiência neste mercado?

Cuba é um mercado exigente, formal e difícil, no entanto, todo este processo pode ser mais agilizado dependendo da confiança que transmitimos. Cuba não quer um parceiro para uma só vez, quem demonstrar que quer continuar a apostar naquele mercado pode ter um cliente para muito tempo. Daí a importância de participar nas várias missões empresariais, nas quais a nossa empresa sempre apostou. É fundamental a atuação da CCPC nestas missões, sem eles provavelmente ainda estaria a trilhar o caminho do sucesso, ou então já teríamos desistido.

Como pensa manter e intensificar os negócios preparando-se para o eventual fim do embargo dos EUA a Cuba?

O eventual fim do embargo traz logicamente maior liquidez para aquele país, logo os negócios intensificam-se, e nesse caso, obviamente os cubanos vão ter em conta quem os ajudou em alturas mais difíceis, é também essa a nossa aposta, intensificar as missões empresariais promovidas pela CCPC.

in Jornal de Negócios, 16 de Dezembro de 2020