A história por trás das máscaras bico de ave dos “médicos da peste”

Veneza é reconhecida mundialmente pelos seus canais, pela arquitetura única, mas também pelo seu Carnaval cheio de máscaras exuberantes que já todos vimos em algum lado, como a famosa máscara de bico de ave. O que poucos sabem é que esta máscara tem origem no início do século XVII durante a luta contra a peste negra.

Médicos da peste

Médicos da peste

O Carnaval de Veneza teve início no séc. XVIII com o objetivo de ser uma reunião entre os vários estratos sociais da altura que, mascarados, podiam esconder a sua identidade, pondo assim, as suas desigualdades de lado. Nesta festa é possível ver várias máscaras diferenciadas e nada discretas, e a verdade é que muitas delas têm um significado histórico por trás. É o caso da chamada máscara dos “Médicos da peste”.

“Têm um ar assustador, e a verdade é que na época em que a mesma foi inventada os tempos eram isso mesmo, assustadores! Falamos da época da peste negra!”
Ilustração peste negra

A peste negra

A doença teve início algures nos anos de 1300 sendo que começou a ser mais devastador quando atingiu a europa na segunda metade do séc XIV mantendo-se sempre presente em algum ponto do continente no período compreendido entre 1346 e 1671.

Nessa altura em que os conhecimentos não eram muito avançados, os médicos acreditavam que a doença na origem da grande peste era propagada pelo cheiro, pois na época, era comum resíduos de lixo, esgotos e animais (mortos e vivos) serem deixados na rua, causando fortes odores.

Os médicos responsáveis por acompanharem os doentes da altura eram apelidados de médicos da peste e foi precisamente um destes médicos, Charles de Lorne – francês que trabalhava para a realeza – que, em 1619, criou o famoso e exuberante traje que mais tarde viria a ser apelidado de “Traje dos médicos da peste”.

Máscara carnaval bico de ave peste negra

Máscara de bico de pássaro dos médicos da peste

O uniforme era composto por uma máscara de bico de corvo com dois orifícios laterais para que fosse possível respirar, em que, no seu interior eram colocadas misturas de ervas, flores e especiarias medicinais, sendo que, o bico deveria ser comprido o suficiente para dar tempo de purificar o ar “contaminado”.

Fazendo um paralelismo com os tempos atuais em que também lutamos contra a propagação de outra doença, devemos agradecer pela evolução da saúde e por existirem máscaras menos vistosas e mais eficazes como é o caso das nossas Nano Mask, máscaras cirúrgicas e as conhecidas máscaras FFP2 entre outras que são mais eficazes e confortáveis.

Parece que até certo ponto a história se repete, “pandemia”, “máscaras”, “médicos” … e a questão que fica no ar é “Será que daqui a uns anos vamos ver as pessoas disfarçadas com máscaras cirúrgicas num evento social?”.